Sem exceção todos nós criamos expectativas quando entramos em um relacionamento.

Posso afirmar a vocês que para um relacionamento dar certo depende diretamente da maneira como conseguimos viver com as diferenças de cada um.

Seja futebol, cinema, heavy metal, teatro ou o que for cada um tem uma maneira de viver e apreciar a vida.

Criamos fantasias, situações e papéis que são desenhados em nossos sonhos desde a infância.

Casar é muito bom! Mas não é fácil…

Não tenho dúvida de que exige muito esforço, cada um sabe do desconforto que uma rotina pode causar.  Como diz Caetano “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”

Viver com alguém exige mudanças pessoais muito profundas, precisamos de desprendimento e desapego.

Ao longo de minha vida, através dos romances lidos, casos atendidos, cursos e toda teoria sobre o assunto, me fez aprender a  ver como o casamento é construído através de fases.

Não digo todos, mas a maioria dos relacionamentos tem início com um convívio quase simbiótico, o casal é praticamente igual em tudo, têm as mesmas opiniões, gostos muito parecidos, interesses comuns; ocorre uma verdadeira fusão entre ambos.

Neste período se afastam de suas origens e encontram no outro um  novo porto seguro.

Mas isso não é para sempre…

Viver dessa maneira é sufocante e inconscientemente essa situação aos poucos nos deixa assustados e ansiosos. Não há como viver sem nossa identidade, é preciso resgatar nossa auto-imagem.

Esse processo pode ser chamado de individualização. Se não for bem conduzido pode causar um mal irreversível para o relacionamento do casal.

Quando o casal sai dessa fase de fusão, começam os problemas, pois passam a perceber que são pessoas diferentes. E ainda há o desconforto pela perda daquele momento de sonhos e fantasias.

Agora é como estar em uma encruzilhada, permanecem juntos ou se separam.

Se o casal se separar nessa fase, as diferenças que existe entre eles irão entrar em erupção como um vulcão adormecido. Se tornam pessoas tão estranhas que os momentos felizes que viveram caem por terra, sobra apenas  censura e a cólera.

Mas tem casais mesmo as coisas não estando bem permanecem juntos…

Neste caso há uma “institucionalização” das diferenças e isso também não é bom, pois passam por  momentos ruins.

A vida passa a ser uma grande frustração, principalmente com o casamento. As diferenças provocam grande irritação e ambos se tornam inflexíveis e aumentam a competitividade entre si. Com o tempo a vida em casal se torna insuportável e um passa a ver o outro como uma caricatura estigmatizada com tudo de ruim em um ser humano pode ser.

A institucionalização da diferença torna concreta perda da esperança no outro e carregamos uma eterna ansiedade que contamina o relacionamento com a possibilidade de um fim que nunca se concretiza.

Dai surgem fantasias de doenças, de morte e de traição…

O casamento somente será completo quando superamos o processo de individualização.

Somente ao conseguirmos passar pela ansiedade e agitação de reconhecer as diferenças do outro, se cada um conseguir  ver a importância do ponto de vista do outro e se cada um se esforçar para entender o outro,  será possível continuar junto.

É desta maneira que conseguiremos reconhecer também nossas próprias fraquezas.

Para isso temos que gastar muita energia, mas só assim é possível conquistar uma melhor harmonia para vivermos bem.

Afinal o casal é feito de pessoas diferentes, independentes e auto-suficientes, mas que encontram a satisfação na vida vivendo com a diferença do outro, pois isso é o amor…  generosidade, respeito e entendimento.

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